Documentos do imóvel

Como ler o certificado energético — campo a campo

O certificado energético diz como o imóvel se comporta e quanto custaria melhorá-lo. É obrigatório para vender, dura dez anos, e traz no fim uma lista de obras orçamentadas que quase ninguém lê. Abaixo está um modelo ilustrativo, campo a campo.

O certificado energético classifica o desempenho do imóvel de A+ a F e lista medidas de melhoria com custo estimado. É obrigatório para vender ou arrendar, e é o único dos três documentos que ninguém lê até ao fim — o que é pena, porque a página das medidas de melhoria é uma lista de obras orçamentadas por um técnico, entregue de graça a quem está a negociar. Este modelo descreve a mesma fração «F» do artigo U-00000 que a caderneta predial e a certidão permanente, e está deliberadamente perto do fim da validade.

Como usar esta página

Toque num campo do modelo para saltar para a sua explicação; a explicação completa de todos os campos está também escrita por baixo, por ordem, e lê-se de seguida como texto corrido. Os campos marcados com um ponto dourado são aqueles onde os problemas aparecem com mais frequência.

O que cada campo quer dizer

Número do certificado

SCE000000000 (ilustrativo) · Emitido através do Portal SCE (ADENE)

O que é
O número de registo do certificado no Portal SCE, a plataforma gerida pela ADENE. É por ele que se confirma que o certificado existe, a quem se refere e se continua válido — a folha em si não prova nada.
O que é normal
Todo o certificado emitido tem número e fica registado. Um PDF sem número, ou com marca de água a declarar a invalidade, não é um certificado — o artigo 23.º n.º 4 do Decreto-Lei n.º 101-D/2020 diz expressamente que esses são inválidos.
O que trava ou atrasa uma compra
O número tem de corresponder a este imóvel e a esta fração, e não a outra do mesmo prédio. Confirme-o na fonte, e não no papel que lhe entregaram. Isto tem de ser verificado antes de assumir qualquer compromisso.
Voltar ao documento

Data de emissão e validade

Emitido em 23-03-2017 · Válido até 22-03-2027

O que é
O prazo está fixado no artigo 23.º n.º 1 do Decreto-Lei n.º 101-D/2020: dez anos para um certificado energético comum, dez para um pré-certificado, oito para grandes edifícios de comércio e serviços, e um ano para edifícios em tosco. Findo o prazo, o artigo 23.º n.º 4 alínea b) torna o certificado inválido — não «desatualizado», inválido.
O que é normal
Dez anos é muito tempo, e certificados na casa dos oito ou nove anos aparecem constantemente em imóveis à venda — este modelo é um deles, de propósito. O artigo 23.º n.º 3 acrescenta um pormenor que apanha muita gente: um certificado pode ser atualizado durante a vigência, mas a atualização não alarga o prazo — a contagem continua a correr da emissão original.
O que trava ou atrasa uma compra
Este modelo caduca em 22-03-2027 — está deliberadamente perto do fim, porque é assim que o problema aparece na prática. Um certificado que expira antes da escritura obriga a emitir outro, com um perito, um custo e um prazo — e o novo certificado pode dar uma classe diferente deste. Quem paga esse novo certificado é matéria de negociação e não está decidido por lei. Isto tem de ser verificado antes de assumir qualquer compromisso.
Voltar ao documento

Perito qualificado

ANA EXEMPLO MODELO · PQ00000 (ilustrativo)

O que é
O técnico que produziu o certificado. O artigo 2.º alínea s) do Decreto-Lei n.º 101-D/2020 define o perito qualificado como «o técnico com título profissional para o exercício da atividade de certificação energética, nos termos da Lei n.º 58/2013». É uma qualificação regulada, com número próprio, verificável.
O que é normal
O perito é contratado e pago por quem vende. Isso é o normal e não é irregular: alguém tem de encomendar o certificado, e a lei obriga o vendedor a tê-lo. Mas significa que o levantamento foi feito para o vendedor, não para si — e, num certificado com anos como este, foi feito para um vendedor que pode já nem ser o actual.
O que trava ou atrasa uma compra
O perito visitou o imóvel uma vez e registou o que lhe foi mostrado e declarado. Não inspecionou patologias, não abriu paredes e não verificou se as obras feitas estão licenciadas. Tratar o certificado como um relatório de estado do imóvel é o erro que ele convida a cometer. Isto tem de ser verificado antes de assumir qualquer compromisso.
Voltar ao documento

Classe energética

C (escala A+ a F)

O que é
A letra resume o desempenho energético modelado do imóvel, de A+ (melhor) a F. É calculada a partir das características do edifício — envolvente, envidraçados, sistemas — aplicadas a um padrão de utilização normalizado. Não é o seu consumo, nem o consumo do proprietário anterior.
O que é normal
Este modelo carrega um C, que é a classe mais instrutiva de todas: grande parte do parque habitacional português anterior a 2006 situa-se entre C e E, e um C numa fração dos anos 2000 com vidro duplo, caixilharia sem corte térmico e paredes sem isolamento é exactamente o que se espera. Não é mau ao ponto de assustar nem bom ao ponto de se ignorar — é a zona onde as medidas de melhoria têm retorno real e onde vale a pena lê-las. A letra também se move com a substituição de equipamentos, pelo que um certificado antigo pode já não descrever o imóvel que vai ver.
O que trava ou atrasa uma compra
A letra é um modelo, não uma medição: não lhe diz o que vai pagar de eletricidade, nem se a casa é fria em janeiro. Para isso servem os indicadores por uso, a descrição da envolvente e uma visita no inverno. E é uma razão, não um consumo — a escala abaixo explica contra o quê. Isto tem de ser verificado antes de assumir qualquer compromisso.
Ver a escala completa, de A+ a F, e onde este modelo caiVoltar ao documento

Indicadores de necessidades energéticas

Aquecimento 78,4 kWh/m².ano · Arrefecimento 9,1 kWh/m².ano · Águas quentes sanitárias 21,6 kWh/m².ano

O que é
A letra desdobrada nos três usos que a compõem. É aqui que se vê onde está o problema: um valor alto no aquecimento aponta para envolvente e envidraçados; um valor alto nas águas quentes aponta para o equipamento de AQS, que é muito mais barato de trocar.
O que é normal
Em Portugal continental o aquecimento domina quase sempre estes três números, e o arrefecimento é pequeno. Um perfil com aquecimento alto e arrefecimento baixo é o padrão nacional, não um defeito do imóvel.
O que trava ou atrasa uma compra
Estes valores são por metro quadrado e por ano, sobre um padrão de utilização normalizado — não são uma previsão da sua fatura. Servem para comparar imóveis entre si e para perceber que obra teria efeito. Isto tem de ser verificado antes de assumir qualquer compromisso.
Voltar ao documento

Fontes de energia

Eletricidade (aquecimento) · Gás natural (águas quentes sanitárias)

O que é
Que energia alimenta cada uso. Importa porque o custo por kWh difere muito entre eletricidade, gás natural, gás de garrafa e biomassa — dois imóveis com a mesma classe podem custar valores diferentes a aquecer.
O que é normal
Combinações mistas são normais: eletricidade para aquecimento e gás para águas quentes é das mais comuns em apartamento urbano. A presença de gás natural implica ligação à rede e um contrato próprio.
O que trava ou atrasa uma compra
Confirme que a ligação indicada existe de facto e está ativa — um certificado pode descrever uma instalação de gás que foi desligada. E se conta mudar de fonte, o custo dessa mudança é seu, não do vendedor. Isto tem de ser verificado antes de assumir qualquer compromisso.
Voltar ao documento

Envidraçados e isolamento

Vidro duplo, caixilharia de alumínio sem corte térmico · Cobertura isolada · Paredes exteriores sem isolamento térmico

O que é
A descrição física do que separa o interior do exterior: paredes, cobertura, pavimentos e vãos envidraçados. É a parte do certificado que explica a letra, e a que custa mais dinheiro a alterar.
O que é normal
«Vidro duplo com caixilharia sem corte térmico» é extremamente comum em construção dos anos 90 e 2000: o vidro foi modernizado, o caixilho não. Paredes sem isolamento são a norma em grande parte do parque anterior a 2006.
O que trava ou atrasa uma compra
Isolar paredes pelo exterior numa fração implica a fachada, que é parte comum — não é uma obra que se decida sozinho, depende do condomínio e pode depender da câmara. Antes de orçamentar melhorias de envolvente, é preciso saber o que a propriedade horizontal permite. Isto tem de ser verificado antes de assumir qualquer compromisso.
Voltar ao documento

Sistemas técnicos

Aquecimento: bomba de calor (split) · Arrefecimento: não existe · AQS: esquentador a gás natural

O que é
Os equipamentos instalados para aquecer, arrefecer e produzir águas quentes, com a sua eficiência. Entram directamente no cálculo da classe e, ao contrário da envolvente, são relativamente baratos de substituir.
O que é normal
«Não existe» é uma resposta legítima e frequente: muitos apartamentos não têm arrefecimento, e o certificado assume então um equipamento de referência para efeitos de cálculo. Equipamentos no fim de vida continuam a contar como existentes.
O que trava ou atrasa uma compra
O certificado regista que o equipamento existe, não que funciona nem que tem manutenção feita. A idade e o estado real dos aparelhos vêem-se na visita e nas facturas de manutenção, não aqui. Isto tem de ser verificado antes de assumir qualquer compromisso.
Voltar ao documento

Tipologia e área útil de pavimento

T2 · Área útil de pavimento 85,0000 m²

O que é
A tipologia coincide com a da caderneta, mas a área não — e não deve coincidir. O certificado usa a área útil de pavimento, medida pelo interior e correspondente ao espaço efectivamente aquecido; a caderneta usa a área bruta privativa, medida pelo perímetro exterior e eixos das paredes, e separa dela a área bruta dependente.
O que é normal
Neste modelo: 85,0000 m² úteis contra 96,5000 m² de área bruta privativa. A diferença é a espessura das paredes. A garagem, que na caderneta são 22,0000 m² de área bruta dependente, não entra na área útil porque não é espaço aquecido.
O que trava ou atrasa uma compra
Três documentos, três números, e só um deles é erro. Uma área útil próxima da bruta privativa, ou superior, é que seria estranha. O que importa verificar é se as três medidas são reconciliáveis entre si e com a planta licenciada. Isto tem de ser verificado antes de assumir qualquer compromisso.
Comparar com as áreas da caderneta predialVoltar ao documento

Medidas de melhoria

Caixilharia com corte térmico — € 4 200, retorno ~11 anos · Isolamento de paredes pelo interior — € 3 100, retorno ~14 anos · Bomba de calor para AQS — € 1 800, retorno ~6 anos

O que é
A parte do certificado que quase ninguém abre. O perito lista as obras que fariam subir a classe, com custo estimado e retorno esperado. É, na prática, um orçamento de obras preparado por um técnico e entregue a ambas as partes antes da negociação.
O que é normal
As estimativas são indicativas e feitas a preços do ano da emissão — num certificado de 2017, como este, os custos estão desactualizados e quase de certeza por baixo. Retornos acima de dez anos são normais em medidas de envolvente e não significam que a medida seja má.
O que trava ou atrasa uma compra
Esta lista é um facto negocial: são obras que o imóvel precisa, identificadas e orçamentadas por um técnico pago pelo vendedor, no documento que o vendedor lhe entregou. Reorçamente-as a preços de hoje antes de as usar, e confirme quais delas dependem do condomínio. Isto tem de ser verificado antes de assumir qualquer compromisso.
Voltar ao documento

O que o documento não diz

O que o banco faz com esta letra

O que é
A classe energética entra na avaliação que o banco manda fazer ao imóvel, e o banco empresta sobre o MENOR entre o preço acordado e o valor da avaliação. Um C como o deste modelo não é mau, mas também não ajuda: é a classe que grande parte do parque tem, e não traz nada ao valor. Uma classe que puxe a avaliação para baixo do preço não trava o negócio — transfere a diferença para a entrada, que sai do seu bolso. Alguns bancos praticam ainda condições distintas para imóveis de classe alta, o que varia entre instituições e ao longo do tempo.
O que é normal
A avaliação bancária ficar abaixo do preço é comum em mercado a subir, e a classe energética é apenas um dos factores. Não é, por si, sinal de que o imóvel está mal avaliado pelo vendedor.
O que trava ou atrasa uma compra
Antes de assinar um CPCV com sinal, é preciso saber quanto o banco vai emprestar sobre este imóvel em concreto, e não sobre um imóvel em abstracto. Isto tem de ser verificado antes de assumir qualquer compromisso.
O custo total de comprar em Portugal

A escala, de A+ a F

A escala tem oito classes, não sete — B- existe, e é a que cai exactamente sobre o limite regulamentar. Cada classe corresponde a um intervalo do rácio Rₙₜ, publicado na Tabela 01 do Despacho (extrato) n.º 15793-J/2013.

Rₙₜ = Nₜₑ ÷ Nₜ — as necessidades nominais anuais de energia primária do imóvel a dividir pelo valor limite regulamentar para aquele imóvel.

A+
Rₙₜ ≤ 0,25
Na regraNecessidades de energia primária até um quarto do limite regulamentar.Na prática, para quem compraPraticamente sempre construção nova ou reabilitação profunda. Confortável sem esforço e barato de manter; paga-se no preço de compra.
A
0,26 ≤ Rₙₜ ≤ 0,50
Na regraEntre um quarto e metade do limite regulamentar.Na prática, para quem compraBom desempenho real. Envolvente e sistemas recentes; pouca obra de eficiência por fazer.
B
0,51 ≤ Rₙₜ ≤ 0,75
Na regraEntre metade e três quartos do limite regulamentar.Na prática, para quem compraAcima do exigido. Normalmente falta pouco — um sistema de AQS ou um vão — para subir de classe.
B-
0,76 ≤ Rₙₜ ≤ 1,00
Na regraAté ao limite regulamentar, inclusive. É a classe que corresponde exactamente ao mínimo exigido.Na prática, para quem compraCumpre, sem margem. Construção que foi feita para o mínimo da época, não acima dele.
C
1,01 ≤ Rₙₜ ≤ 1,50Este modelo
Na regraAté 50 % acima do limite regulamentar.Na prática, para quem compraA classe mais comum no parque habitacional corrente. Aquece-se e arrefece-se, mas custa; há medidas de melhoria com retorno real.
D
1,51 ≤ Rₙₜ ≤ 2,00
Na regraEntre 50 % e o dobro do limite regulamentar.Na prática, para quem compraDesconforto sensível no inverno. Obra de envolvente — vãos ou isolamento — deixa de ser opcional se quer conforto.
E
2,01 ≤ Rₙₜ ≤ 2,50
Na regraEntre duas e duas vezes e meia o limite regulamentar.Na prática, para quem compraTípico de construção antiga sem intervenção. Conte com obra estrutural de eficiência, não com melhorias pontuais.
F
Rₙₜ ≥ 2,51
Na regraDuas vezes e meia o limite regulamentar, ou mais. É o fundo da escala.Na prática, para quem compraO custo de pôr o imóvel confortável faz parte do preço que está a negociar, não de um plano para depois.

Intervalos: Despacho (extrato) n.º 15793-J/2013, Tabela 01. Cores: ADENE, Manual de Normas Gráficas — Classe Energética do Imóvel, p. 12.

A escala é relativa, não é um consumo

A letra não mede energia — mede uma razão. O numerador é o que o imóvel precisa; o denominador é o limite regulamentar calculado PARA AQUELE imóvel, que varia com a zona climática, a tipologia e a envolvente. O mesmo edifício, movido de zona climática, não recebe necessariamente a mesma letra, porque a referência contra a qual é medido mudou. Duas casas com C podem gastar valores muito diferentes.

A letra tem a idade do regulamento que a emitiu

O certificado deste modelo foi emitido em 2017, e por isso foi classificado ao abrigo do Decreto-Lei n.º 118/2013, com as regras de classificação do Despacho (extrato) n.º 15793-J/2013. Uma classe emitida sob um regulamento anterior é a classificação desse regulamento, e não se converte sozinha. Comparar a letra de um certificado de há nove anos com a de um emitido este ano é comparar duas réguas.

Onde a classe pesa mesmo

  • Na avaliação bancária. A classe é um dos elementos que entram na avaliação, e o banco empresta sobre o menor entre o preço e a avaliação — a diferença, se existir, sai da entrada.
  • No IMI, quando o município o decide. Alguns municípios aplicam reduções de IMI a imóveis mais eficientes; é uma decisão municipal, varia de concelho para concelho e de ano para ano, e confirma-se junto do município, não aqui.
  • Na direcção que a regulação europeia segue. A diretiva do desempenho energético dos edifícios aponta para exigências mínimas crescentes sobre o parque existente. O que isso significa para um imóvel concreto depende da transposição e do calendário, que ainda se está a definir.

Nenhum destes pontos se resolve lendo a letra. O que a letra faz é dizer-lhe que perguntas fazer sobre este imóvel em concreto — ao banco, ao município e ao perito. Isto tem de ser verificado antes de assumir qualquer compromisso.

Os outros dois documentos do mesmo imóvel

Este é o único dos três que não é um registo. A caderneta predial e a certidão permanente descrevem o imóvel tal como consta dos registos — o fiscal e o da propriedade; o certificado descreve-o tal como está construído. Daí virem três áreas diferentes para a mesma fração, todas correctas: é o exemplo mais limpo de porque nenhum destes documentos se lê isolado.

Como ler a caderneta predial urbana — campo a campoComo ler a certidão permanente predial — campo a campo

Onde os três documentos se leem de forma diferente

Os três modelos descrevem a mesma fração «F» do artigo U-00000. Só o primeiro destes pontos é um verdadeiro desencontro entre os registos — os restantes são diferenças de âmbito, de vigência e de critério de medição, em que os documentos dizem coisas distintas sem se contradizerem. Estão aqui todos porque são exatamente os pontos que confundem quem lê documentos reais.

Quem consta como titular

Caderneta predial: MARIA EXEMPLO DA SILVA e JOÃO MODELO EXEMPLO, 1/2 cada — os compradores de 2011.

Certidão permanente: Três herdeiros em comum, após o óbito de JOÃO em 2021, com usufruto vitalício a favor de MARIA.

No seu caso: É o desfasamento clássico: a matriz só se atualiza por declaração dos interessados, o registo predial atualiza-se com o ato. Quem pode vender são os titulares do registo predial. Quando encontrar esta divergência nos seus documentos, trate a certidão como a fonte e pergunte por que razão a matriz não foi atualizada. Isto tem de ser verificado antes de assumir qualquer compromisso.

Que áreas cada registo imprime (não é desencontro)

Caderneta predial: As mesmas áreas da fração — 96,5000 + 22,0000 m² — e, ALÉM delas, as áreas do PRÉDIO: terreno 480,0000 m² e implantação 160,0000 m².

Certidão permanente: As mesmas áreas da fração — 96,5000 + 22,0000 m² — e mais nada. O lote de 480 m² está na descrição-mãe do edifício, não nesta inscrição.

No seu caso: Repare que as áreas da fração coincidem nos dois documentos: aqui não há desencontro nenhum, há uma diferença de âmbito. A caderneta imprime, na mesma página, números que são do prédio; a certidão não. O terreno na caderneta de uma fração é parte comum de todos os condóminos e não é seu. Some sempre só a privativa com a dependente para saber o que está a comprar. Isto tem de ser verificado antes de assumir qualquer compromisso.

Até quando cada documento é fiável

Caderneta predial: Fotografia do dia em que foi tirada — neste modelo, 23-09-2026. Não se atualiza depois disso.

Certidão permanente: Subscrição com código de acesso, válida seis meses; mostra sempre o registo no estado atual.

No seu caso: Por isso se pede a caderneta tirada no dia e se consulta a certidão pelo código, e não por PDF. Um documento com três meses não é falso — é apenas anterior a tudo o que tenha sido inscrito desde então. Isto tem de ser verificado antes de assumir qualquer compromisso.

Três documentos, três áreas (nenhuma errada)

Caderneta predial: Área bruta privativa 96,5000 m² + área bruta dependente 22,0000 m², medidas pelo perímetro exterior e eixos das paredes (CIMI art. 40.º).

Certidão permanente: As mesmas áreas da fração, 96,5000 + 22,0000 m², tal como inscritas no registo.

No seu caso: O certificado energético acrescenta uma terceira: 85,0000 m² de área útil de pavimento, medida pelo interior e contando apenas espaço aquecido — por isso é menor que a bruta privativa e exclui por completo a garagem. Os três números descrevem a mesma fração com critérios diferentes. Suspeite quando a área útil se aproxima da bruta privativa, não quando fica abaixo dela. Isto tem de ser verificado antes de assumir qualquer compromisso.

O que o certificado não responde

A letra, os indicadores e as medidas de melhoria estão todos nesta folha e agora sabe onde os encontrar. O que a folha não diz é se o certificado chega vivo à escritura, quem paga o próximo, quais das obras listadas dependem do condomínio, e quanto o banco vai emprestar depois de a avaliação ler esta classe.

São perguntas sobre um imóvel concreto e sobre um prazo concreto — é o que tratamos na Representação em CPCV e Escritura, sem comissão do vendedor.

Fontes

  • Código do IMI, artigo 40.º — n.º 2 e n.º 3 definem, com estas palavras, a área bruta privativa e as áreas brutas dependentes, e fixam os coeficientes 1 e 0,30. (O artigo 40.º-A tem outra epígrafe: coeficiente de ajustamento de áreas.)
  • Decreto-Lei n.º 108/2026, de 29 de maio — o artigo 3.º dá nova redação ao artigo 4.º-A do RJUE, cujo n.º 14 impõe a menção ao título urbanístico sob pena de anulabilidade do negócio.
  • Declaração de Retificação n.º 29-A/2026/1 — verificada contra o artigo 4.º-A: retifica apenas o artigo 1.º alínea d) do diploma e o artigo 3.º n.º 3 alínea c) do Decreto-Lei n.º 555/99, pelo que o n.º 14 acima se mantém na redação original.
  • Decreto-Lei n.º 155-B/2026, de 31 de julho — o artigo 2.º altera o artigo 13.º do diploma anterior e fixa a entrada em vigor em 1 de outubro de 2026.

Esta página explica o que os campos destes documentos significam. Não é aconselhamento jurídico nem fiscal, e nenhum documento aqui apresentado corresponde a um imóvel real. A Soverite é um agente do comprador licenciado sob a AMI 27281.